|Versión Español|Versão Português|
UNIDO - Observatory for Renewable Energy in Latin America and the Caribbean

O Brasil avança nos testes com a Energia das Ondas ou Ondomotriz

Quando o assunto é energia renovável, o Brasil se destaca por ser o segundo país do mundo a gerar grande quantidade de energia através das hidrelétricas, perdendo apenas pra China. Nos últimos dez anos, a energia eólica também avançou bastante, representando hoje 11% da energia nacional.

Agora o Brasil corre em direção a uma nova fonte de energia renovável. Uma fonte tão abundante quanto o rio, os ventos e o sol: o mar.

Desde 2001, um grupo de pesquisadores da Coppe-UFRJ vem estudando a geração de energia através das ondas. Uma ideia que veio de uma tese de mestrado, ganhou corpo, experimentações em laboratório e um protótipo em escala real instalado no porto de Pecém, no Ceará, em 2011.

O sistema era relativamente pequeno, mas capaz de gerar 100kW. A primeira usina de ondas da América Latina foi chamada pelos pesquisadores de “conversor de ondas hiperbáricas” porque ela gerou eletricidade através da alta pressão da água.

“Nós colocamos a água sob pressão pra que a água faça o papel que normalmente a gente encontra na natureza onde a gente tem grandes quedas d´água pra gerar uma turbina e aí gerar eletricidade dentro de um princípio hidráulico. Então, nós tínhamos uma analogia com esse conceito. O flutuador que está na superfície da água se move e, com isso, ele bombeia uma água pra um circuito fechado, para um ambiente vedado – que é uma câmara hiperbárica, é uma câmara que tem água em alta pressão – e dessa câmara sai um jato d´água pra mover uma turbina” – explica o professor de engenharia oceânica da Coppe, Sengen Estefen.

Para entender melhor como o sistema funciona, é só acessar o vídeo:

Fonte: Divulgação Coppe/UFRJ

Na verdade, é justamente o uso da alta pressão da água que tornou o projeto brasileiro inédito no mundo, pois várias outras tecnologias vêm sendo testadas na Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, Portugal e Estados Unidos. De acordo com o relatório do IPCC divulgado em 2012 existem seis tipos diferentes de recursos do mar que podem ser aproveitados: energia das ondas, amplitude das marés, amplitude das correntes, amplitude do oceano, conversão térmica de energia do oceano, e gradientes de salinidade.

 

UMA SUPER USINA NO OCEANO

 

Independente do tipo de recurso, pesquisadores já identificaram um potencial enorme de geração de energia na costa brasileira. Se no norte do país, as ondas não são grandes o suficiente para terem seu movimento transformado em energia, do nordeste ao sul, o potencial é gigantesco. Levantamentos da Coppe mostram que no mar temos aproximadamente uma Itaipu a ser aproveitada – o que pode acontecer num futuro não muito distante.

 “Tá todo mundo trabalhando, vamos colocar assim, que em 2022, você tenha produtos que possam ser usados pra converter ondas em eletricidade de uma forma, eu diria, economicamente viável e competitiva. O Brasil, por exemplo, perdeu a corrida da eólica, da solar. Ele é só um usuário hoje. O que nós estamos tentando é ver se o Brasil detém a tecnologia porque isso é o que interessa, né?! É você não só usar, mas ter o controle da tecnologia” – afirma o professor Sengen.

 

A USINA DE ONDAS DE COPACABANA

 

E pra chegar a tecnologias mais simples e competitivas, os pesquisadores já estão trabalhando num novo modelo de usina de ondas. Depois de vários testes, a usina de Pecém foi desativada em 2014 e agora a Coppe trabalha num modelo novo: um pouco mais barato que o anterior (deve custar R$ 10 milhões. Na usina de Pecém foram investidos R$ 15 milhões), com uma capacidade de geração de energia um pouco menor – 70kW – e near shore.

“O que nós instalamos no Pecém, é onshore. O nome é onshore porque grande parte da instalação está em terra – no caso lá, o quebra-mar. Ela fica em cima do quebra-mar. Só o flutuador que fica no mar. Tem uma outra classificação, que é o que estamos desenvolvendo agora, que se chama near shore: todo o conjunto fica no mar. No caso agora, a profundidade é em torno de 18 metros. Então, ele vai ficar apoiado no fundo do mar” – explica

O projeto near shore vai ser viabilizado através de uma parceria com Furnas e deve ser instalado em 2018 a dez quilômetros da praia de Copacabana, perto da ilha Rasa – uma área que pertence à Marinha. A nova usina de ondas nem foi instalada e a Coppe já pensa em avançar nos estudos da tecnologia offshore que, segundo o professor Sengen, permitirá a instalação do flutuador em qualquer parte do oceano, ampliando ainda mais as possibilidades de uso desse tipo de usina.

 

 

Fonte: Divulgação Coppe/UFRJ

 

 

VANTAGENS DA USINA DE ONDAS

 

A principal vantagem da usina de ondas é o potencial de aproveitamento energético. Só a costa brasileira tem em torno de 14GW de potencial. As usinas offshore podem representar um grande avanço na geração de energia para ilhas distantes ou locais de difícil acesso e próximos do mar.

É verdade que o movimento dos flutuadores na água pode gerar algum tipo de perturbação para a vida marinha, mas o professor Sengen garante que o barulho gerado pela usina é muito pequeno.

Grandes grupos de pesquisa estão focados na energia dos oceanos, uma revolução que vem do mar e que pode garantir energia limpa para milhões de pessoas. Na corrida tecnológica, o Brasil está avançando e, se depender dos pesquisadores da Coppe-UFRJ é daqui que vai despontar o modelo de usina de ondas mais competitivo do mundo. O professor Sengen acredita que em breve as fontes de energia fóssil vão ser totalmente substituídas pelas fontes renováveis e a energia dos oceanos pode fazer a diferença:

“É uma energia limpa, renovável, e que vai abrir, claro, oportunidades de emprego, vai abrir novas frentes de trabalho numa energia que com o tempo, ao longo das décadas futuras, daqui a 20 anos, 30 anos, vão começar a tomar o lugar das fontes fósseis. Então, essas energias têm pouco impacto ambiental, não agridem o meio ambiente. Elas são renováveis, limpas, não emitem gases do efeito estufa. Então, elas têm um potencial muito grande de ser o futuro aí da humanidade”.

 

Por Beatriz Buarque

 

PARTNERS