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UNIDO - Observatory for Renewable Energy in Latin America and the Caribbean

27.07.16 19:11

Mulheres liderando a revolução das energias renováveis


 

Ao redor do mundo, projetos relacionados às energias renováveis têm mudado a vida das pessoas. Desde micro-hidrelétricas na Ásia até painéis solares em áreas rurais da América Latina, comunidades que antes não tinham acesso passam a poder contar com abastecimento de energia elétrica. E o que é ainda melhor: de forma limpa, sem aumentar a carga de gases do efeito estufa na atmosfera.

 

Em muitos desses projetos, as mulheres têm papel fundamental: “nossa experiência mostra que, ao contrário dos estereótipos predominantes, as mulheres são as que mais adotam soluções tecnológicas, especialmente a solar”, afirma Ajaita Shah, fundadora e CEO do empreendimento social Frontier Markets, que emprega mulheres para distribuir sistemas solares em áreas rurais da Índia. No país, cerca de 300 milhões de pessoas ainda não têm acesso à energia elétrica.

 

No começo do mês de julho, o jornal The Guardian publicou uma reportagem na qual fala sobre diversas iniciativas lideradas por mulheres para o desenvolvimento de tecnologias relacionadas às energias renováveis. Mencionando um relatório da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o texto explica que “nos países em desenvolvimento, as mulheres são amplamente responsáveis pelo abastecimento de energia elétrica nos lares. Elas muitas vezes caminham longas distâncias para coletar combustíveis ou comprar o caro óleo de querosene, usado nas lâmpadas”. Mas são também elas a se engajar em projetos para trazer energia limpa para os suas casas. “Elas são entusiastas por terem um rendimento, e sabem muito bem quais são as necessidades das suas comunidades”, explica Ajaita.

 

Exemplos

 

Um exemplo dessas mulheres é Hansa Chaudhary, de 20 anos. Ela mora na região rural de Rajasthan, na Índia, e é uma das saheli (“amigas”) da Frontier Markets. Levando energia solar à comunidades afastadas, ela está guardando dinheiro para pagar seus estudos. Em seu primeiro ano, recebeu 275 libras esterlinas (cerca a 1.200 reais), mais do que três vezes a renda média de uma mulher em áreas rurais na Índia. Nos cinco anos de atuação da Frontier Markets, a estimativa é que a iniciativa tenha impedido que 600 mil toneladas de CO2 chegassem à atmosfera – o equivalente a retirar 127 mil carros das ruas.

 

E essa não é a única iniciativa desse tipo no mundo: na Tanzânia, um empreendimento social chamado Solar Sister (“Irmã Solar”) já vendeu mais de mil sistemas de lâmpadas solares e fogões abastecidos com energia limpa para mulheres em zonas rurais sem eletricidade. O dinheiro arrecadado é convertido para a educação de seus filhos e para a atividade econômica das mulheres que fazem parte da cooperativa.

 

Desde 2010, a Solar Sister já ajudou cerca de duas mil mulheres na Tanzânia, Uganda e Nigéria a se tornarem empreendedoras, “vendendo lâmpadas solares, carregadores de celular e fogões abastecidos com energia limpa a mais de 300 mil pessoas em comunidades que não têm acesso à energia elétrica”. A ideia é empoderar as mulheres, e com a comissão de 5% a 10% que as vendedoras recebem, muitas delas já começaram ou ampliaram seus próprios negócios.

 

“As mulheres empreendedoras se tornam defensoras da energia limpa em suas comunidades. Isso cria um efeito multiplicador, catalisando os benefícios nas áreas da saúde e educação, e também na economia da comunidade como um todo”, explica Allison Glinsk, diretor do Centro Internacional de Pesquisa sobre as Mulheres, citado na reportagem do The Guardian. Iniciativas como a Solar Sister e a Frontier Markets buscam dar independência financeira estimular a autoconfiança e aumentar o respeito pelas mulheres nas suas comunidades. “Além disso”, afirma a reportagem, “elas permitem que as famílias economizem, se libertando dos caros combustíveis fósseis e mantendo-se produtivas por mais tempo, ajudando a aumentar as possibilidades econômicas da comunidade como um todo”.

 

Energia solar confiável não significa somente benefícios econômicos: permite que as crianças possam estudar durante a noite e que menos fumaça tóxica (proveniente da queima de combustíveis) seja inalada, por exemplo. Ou seja, tem reflexos diretos na educação, na saúde e na qualidade de vida das comunidades.

 

Barreiras

 

Apesar de as iniciativas lideradas por mulheres estarem se multiplicando, o caminho não é fácil. Segundo a reportagem do jornal The Guardian, barreiras como o conservadorismo e a falta de acesso a recursos econômicos e à educação são grandes empecilhos.

 

Já existem alguns programas para tentar aumentar a autossuficiência, resiliência e independência das mulheres. Um deles é o wPOWER, na Universidade de Nairobi, que pretende transformar 8.000 mulheres africanas em empreendedoras até 2018. “Se queremos cortar 80% das emissões de CO2 até 2050, precisamos substituir sistemas de iluminação e de cozinha ineficientes e movidos à combustíveis fósseis por tecnologias limpas. As mulheres têm um papel fundamental para fazer com que isso aconteça”, afirma a diretora do programa, Wanjira Mathai. “Nos concentramos nelas porque sabemos que teremos sucesso”.

 

Fonte: The Guardian - From basket weavers to salt farmers: the women leading a renewables revolution

 

Por: Débora Gastal

 


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