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UNIDO - Observatory for Renewable Energy in Latin America and the Caribbean

14.04.16 20:18

Crise na indústria do carvão


Crise na indústria do carvão: usinas operam com taxa de produção abaixo de 50%

 

Consumo mundial do carvão tem diminuído desde 2014, principalmente devido ao uso de energias renováveis. Para ONGs, era do carvão deverá chegar ao fim

 

A era do carvão se aproxima do fim, esse é o momento de transição para outras fontes de energia.  Isso é o que sugere o estudo de organizações não governamentais (ONGs) Greenpeace, publicado no dia 30 de março. As ONGs formaram uma rede de pesquisadores para estudar o impacto do carbono e as soluções de substituição.  

 

Essa nova análise mostra que uma mudança histórica está acontecendo em relação ao uso do carvão, principalmente por causa da influência das energias renováveis.  Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os projetos globais de construções de centrais de energia a carvão e a consumação mundial desse combustível. Essas novas construções representam um total de 1.424 gigawatts e 1.500 centrais.

 

“A consumação do carvão tem diminuído nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, novas centrais continuam a ser construídas. O que tem resultado numa taxa de uso dessas usinas inferior a 50%, taxa que continua a diminuir. Essa situação é incoerente”, explica Ted Nace, diretor da CoalSwarm.

 

De acordo com um relatório do Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA), a consumação mundial de carvão diminuiu pela primeira vez em 2014. Em 2015, o mundo usou 3% a menos de carvão em comparação ao ano anterior.  Essa queda deverá continuar neste ano.

 

“Há uma falta de conexão entre a produção e a consumação, o que ocasionou um excesso de capacidade de produção na indústria. E essa crise que afeta o setor está se agravando com a acumulação de novos projetos de usina”, informa Nicole Ghio, responsável pela campanha da Sierra Club.

 

Carvão: péssimo investimento

 

De acordo com o estudo, o custo global da construção dessas novas centrais a carvão chega a US$ 981 bilhões.  “Atualmente, o carvão é muito mais caro do que as energias renováveis, que são bastante competitivas financeiramente. É um investimento arriscado, pois a demanda diminui. Não existe nenhuma vantagem em continuar a usar esse combustível: é arriscado economicamente, prejudicial à saúde, ruim para o meio ambiente e não contribui com a escassez de energia”, destaca Ghio.

 

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), esse investimento é 1,5 maior do que o valor necessário para garantir o acesso à eletricidade à 1,2 bilhões de pessoas em situação de escassez energética por meio de fontes de energia limpa. 

 

Com relação à saúde pública, o carvão também não é a melhor opção.  Com base em diversos estudos, o relatório estima o número de mortes prematuras devido ao uso do carvão em 800 mil ao ano.  “A esse número, podemos somar 130 mil mortes suplementares se os projetos de novas centrais se concretizarem”, explica Ted Nace.

 

No dia seguinte à COP 21, o carvão também foi criticado do ponto de vista ambiental.  Entre os três tipos de energia fóssil, petróleo, gás e carvão, o último é o mais poluente. “Com relação à segurança climática, a transição energética é urgente. Não temos tempo a perder”, afirma o diretor da CoalSwarm.

 

As emissões futuras das centrais existentes já são 50% superiores ao limite compatível a um aquecimento global limitado a 2°C.  “A construção dessas novas centrais não é conciliável com os objetivos estipulados no acordo de Paris”, informa o diretor de campanha do Greenpeace, Lauri Myllyvirta. “A grande questão atual é saber se as companhias de energia vão gastar bilhões para manter essas usinas em funcionamento mínimo, para evitar que elas não ultrapassem a cota, ou se elas vão abandonar essas usinas e dar um passo à frente”, completa.

 

Para Nicole Ghio, é fato: “A era do carvão chega ao fim. É hora de abandonar essa fonte de energia poluente, perigosa e ultrapassada para adotar as energias limpas e renováveis, como a solar ou eólica”.

 

O uso do carvão nos países

 

De acordo com o estudo, a China é o maior produtor mundial de energia a partir do carvão. O país produz 880.000 MW ao ano. A China é também o maior emissor mundial de gases de efeito estufa.  No país, as centrais de carvão operam com uma taxa de produtividade inferior a 50%, o nível mais baixo desde 1969. “Existe uma indiferença dos políticos locais. Para eles, a construção de novas usinas é uma boa forma de relançar a economia local. Dessa forma, a indústria do carvão se beneficia de boas condições de financiamento”, explica Carlos Alvarez-Fernandez, da Agência Internacional de Energia (AIE).

 

China, EUA, Índia, Alemanha e Rússia são os cinco países que mais produzem energia a partir do carvão. O Brasil fica na 36° posição, com uma produção anual de 3.386 MW. Entre 2010 e 2015, novas usinas de carvão entram em funcionamento no Brasil, representando uma produção de 1,805 MW. No entanto, outros projetos anunciados foram anulados durante esse período, representando o cancelamento da produção de 2.100 MW.

 

Por Camila Souza

Fonte: Le Monde - Crise de surcapacité dans l’industrie charbonnière

 

 

 

 


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